Amanheceu um dia e o cheiro de enxofre ficou pior, olhou no espelho e viu sua pele escura, cheia de rugas e uma expressão que quase não mais reconhecia, seus cabelos estavam sem vida, os fios brancos se destacavam e já não tinha mais como dar jeito, os olhos dela cairam e sua expressão que antes carregavam brilho, agora só carregava tristeza.
A partir daquele dia sabia que ia diferente, onde antes via beleza, o feio tomou conta, onde antes tinha esperança, sentia cada vez mais dureza, a vida se tornaria um martírio, um saco pesado carregado de lembranças e de vontades desfeitas.
Começou a olhar seu corpo sentindo cada pedaço, sua pele não era mais a mesma, seu tônus se havia perdido e onde, antes, era motivo de orgulho, agora não sabia mais como esconder.
Aquele impulso, aquela vontade, até o desequilíbrio. A voracidade, a inquietude, o desatino enlouquecido, agora era substituído pela calma, mas não uma calma plena, mas sim uma calma sem vida, opaca, quase que totalmente equilibrada numa corda solta no ar, sem base de apoio, sem porto, sem segurança nenhuma.
Via-se sem chão, completamente perdida no tempo que havia chegado, sem conseguir mais estabelcer vínculo com aquele tempo que já tinha ido, era o tempo passando rápido demais, as coisas perdiam a importância e ganhavam um peso que ela já não tinha mais forças pra carregar.
Via-se no chão, inerte, enraizada, com um acúmulo enorme de anos, no corpo, na cara,nos pés, nas mãos, na cabeça, na expressão, na forma de enxengar a vida.
Sem saber como botar isso pra fora resolveu entrar pra dentro, encontrou o portão fechado e a chave nãoa tava no lugar que sempre constumava guardar.
Lembrou que num certo dia numa tentativa embreagada de dar uma espiada ali dentro, entrou e saiu rapidinho, cheia de medo, esqueceu a chave perto do fígado, trancou o portão e saiu correndo.
Precisava pensar no que fazer agora pra tentar entrar lá novamente.
16.1.08
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário