Certa noite, Sophia, num desses rompantes de pensamentos indefinidos, acordou e resolveu começar a escrever. Ela tinha uma fome, uma fúria, tinha sede, sede de escrita, de palavras, de formar frases, orações.
Precisava esvaziar aquilo tudo que guardava, não podia mais perder TEMPO.
Se não colocasse pra fora, morreria.
Ali, naquele momento, Sophia escreveria.
Tudo que lhe vinha a cabeça, grandes histórias, pensamentos, meditações, palavras ao vento.
Precisava transformar mais, mais do que nunca, aquilo que a consumia.
Era como um vômito contínuo, interminável e corrido.
Tinha idéias demais, as vezes de menos, não conseguia esgotar, pois se parava de pensar, sua mão pedia a prosa, se parava e escrever sua cabeça cantava poesia. Seu corpo começara a transcender e a se transformar em escrita, sem parar de digitar, um calor na sua alma um suor que expelia.
O calor era grande, sensação de caldeirão, ebulição derretimento.
Quanto mais esvaziava cuspindo palavras, mais seu corpo se preenchia e cada vez mais alimento sua alma produzia.
Era um sentimento nutrido, acrescido de prazer absoluto.
Tão absoluto que sua cabeça virou letra, sua mão virou palavra, o seu corpo, frase e sua alma, sintaxe.
Plena Sophia se sentia.
8.7.07
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